Time sete vezes campeão carioca, a última em 1960, e oito vezes vice-campeão
e a que mais me impressionou e marcou foi em 1950 com um timaço formado por
Osni, Joel e Osmar, Rubens, Oswaldinho e Godrofredo,
Natalino, Maneco, Dimas, Ranulfo e Jorginho!
Time que não foi campeão, mas uma equipe que se perpetuou em minha memória
e de outros americanos. Inesquecível. Serviu de exemplo e de incentivo
a outro time melhor que foi campeão carioca em 1960 ...
e vencendo o Fluminense! Eu era então, Segundo-Tenente da Marinha!
Em 1982, foi o campeão dos Campeões de um torneio organizado pela CBF
para servir de ensaio para a Copa Brasil. Foi o auge!
Além dessa e de outras lembranças do time rubro,
dos ‘diabos’, eu guardava uma pequena bandeira do clube de 30 por 40 centímetros.
Pequeninha, mas vistosa.
O janelão azul da casa de frente para a Imbuquinha, caminho de acesso
a já conhecida ‘barraca do Sereno’ mostrou-se-me como o lugar adequado
e resguardado para homenagear meu clube de coração.
Uma paixão, uma lembrança, uma memória!
Mas então, o América já estava decadente! Caíra no campeonato carioca
para divisões inferiores e fora eliminado do Brasileirão. E nunca mais.
Deixou de aparecer em manchetes dos jornais em primeiras páginas ou interiores,
em noticiários, e enfim em qualquer linha de jornal, mesmo os menos populares.
E aquela bandeirinha a chamava a atenção dos transeuntes, não só locais,
como de turistas e farofeiros em transito pela Ilha de Paquetá. Transformou-se
em um marco na Imbuca e quiçá, na Ilha. “Aquela casa do americano”,
“A casa com a bandeirinha do América”, “A do Comandante que é América”
e outras referencias menos elogiáveis.
O sol constante da manhã desbotou o vermelho da bandeira e a maresia
atacou a pintura do “encouraçado definitivamente encalhado na Praia da Imbuca”
exigindo um trato que veio em 2007, de setembro a dezembro. Desarrumação total,
retirada de quadros, adornos e penduricalhos, cortinas e ... foi-se a bandeirinha.
Como que desiludido o América caiu mais e mais.
Seu Ney! E o nosso time?
Azar, Adauto! Azar.
E 2008 passou em silêncio, rapidinho, rapidinho como que prenunciando uma crise
entre indagações de alguns poucos paquetaenses admiradores do América como Izaurino,
ex-gerente do BANERJ em Paquetá; Adauto, entregador de bebidas da Cristina; Luiz Carlos,
o sorveteiro de Nova Iguaçu sempre presente nos fins de semana na Ilha,
a alegria de minhas filhas, então meninas e hoje, de meus netos!
Naquela manhã de 20 de janeiro de 2009, dia de São Sebastião do Rio de Janeiro,
dia da posse de Barack Obama, o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos da América,
lembrei-me de revirar meus guardados e encontrei no fundo de meu armário,
a bandeirinha do América. Recoloquei-a em seu devido lugar como um lembrete aos americanos
“Estamos vivos! Sangue! Sangue!”
Também em Paquetá o América serviu de inspiração quando da fundação de dois clubes ilhéus.
O Municipal Futebol Clube da Ilha de Paquetá foi fundado no dia 13 de junho de 1918
por Rodolpho Alves, Alfredo Ribeiro dos Santos, Job da Silva Rosa,
José Ferreira e João Fernandes Hermidu, dentre eles alguns admiradores do América
que exigiram se adotasse para o Municipal as mesmas cores e um
emblema à semelhança do do América. para esse clube ilhéu que existe até hoje.
O outro foi o Paquetá Iate Clube que nasceu em 16 de agosto de 1956
com um grupo dissidente do clube Municipal do qual faziam parte Wolney Rocha Braune,
Moacyr dos Santos Machado – o Moacyr Mangonga, Rivadavia dos Santos Machado – o Riva
e Miguel Fernando Fogliati – marido de D Alaíde, que ao fundarem o PIC,
este de caráter náutico, fizeram a mesma exigência, a cor vermelha do América.
O ano de 2009 foi glorioso para o futebol carioca. O Flamengo surpreendeu
e se tornou um hexa-campeão do Campeonato Brasileiro. O Vasco da Gama ressuscita
ao ser campeão da “Segundona” e retorna ao primeiro grupo de elite. Fluminense e Botafogo,
vilões heróis, contrariando opiniões de futurólogos e previsões de estatísticos e matemáticos
escapam como que por milagre de um desonroso rebaixamento.
E o América? Já quase esquecido, o segundo clube no coração da maioria dos cariocas,
o Mequinha dos apaixonados ‘rubros’, retorna à Primeira Divisão do campeonato carioca!
Resta rememorar o mais belo de todos os hinos compostos por Lamartine Babo:
Hei de torcer, torcer, torcer
Hei de torcer até morrer, morrer, morrer
A começar por mim
A cor do pavilhão
É a cor do nosso coração.